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Globalização

Nossos filhos globalizados

Com um pé aqui e outro no mundo, eles dominam vários idiomas, viajam e navegam pela internet, circulando à vontade por diversas culturas. São jovens que cresceram na era da globalização e planejam um futuro sem fronteiras. E você? Está preparando seus filhos para entrar nessa?

por Flávia Pinho|Fotos Karine Basilio|mapa David Zelick


O intercâmbio, que há décadas exporta brasileiros para escolas do Canadá, dos Estados Unidos, da Europa e da Oceania, deixou de ser um sonho e, hoje, faz parte do projeto educacional de muitas famílias, que o consideram tão fundamental quanto o curso de inglês. No ano passado, a Central de Intercâmbio, que tem 40 lojas no país, registrou um aumento de 30% na procura. Este ano, deve ser maior. O número de vagas passou de 550 em 2004 para mil em 2005", revela a gerente de marketing, Clarissa Konishi. A paulistana Arlene Manso Vieira, 50 anos, gerente financeira de uma empresa de comércio exterior, treinou os dois filhos desde cedo para que, na adolescência, estivessem prontos para o embarque. "É uma experiência que deixa o jovem mais preparado para a vida." O mais velho, Marcello, hoje estudante de administração da Escola Superior de Propaganda e Marketing, tinha 15 anos quando passou um mês aperfeiçoando seu inglês no Canadá. No ano seguinte, viajou para os Estados Unidos, onde fez uma parte do 2o ano do ensino médio. "Antes de iniciar o curso, permaneci quatro dias em uma universidade americana com 250 alunos do mundo inteiro. Ficamos isolados, sem poder ligar para casa, e fiz muitos amigos estrangeiros, com quem ainda mantenho contato", diz. Ele só espera o diploma para voltar aos Estados Unidos. Quero começar a carreira por lá e consolidá-la no Brasil." Agora, é a vez de o caçula, Victor, 16 anos, repetir a dose. No ano passado, ele estudou inglês durante um mês nos Estados Unidos, retornando em julho deste ano para cursar um semestre do ensino médio. Escola, hospedagem, passagens e alimentação devem sair por cerca de 12 mil reais. "É caro, mas, em pouquíssimo tempo, ele vai voltar afiado no idioma. Um curso de inglês por anos a fio acabaria custando mais caro", calcula Arlene.

A Austrália é a bola da vez, segundo a Associação Brasileira de Empresas Especializadas em Educação Internacional (Belta). Atrai 12% dos candidatos a intercâmbio, número que aumenta a cada ano - o campeão ainda é o Canadá, com 25%, seguido do Reino Unido e dos Estados Unidos, com 16% cada um. O estudante paulistano Marcos Villares, 20 anos, que cursou o 3o ano do ensino médio no país dos cangurus em 2002, gostou tanto que decidiu voltar. Faz faculdade de engenharia de áudio e pretende se tornar cidadão australiano. "É um país jovem, liberal, que está crescendo com uma consciência mais atualizada", opina. Mas há quem aposte na tradição familiar. Assim que se formou na Escola Superior de Propaganda e Marketing, em 2003, a paulista de Sorocaba Naomy Ikeda, 25 anos, zarpou para um estágio de nove meses no Japão. Conquistou uma bolsa do governo da província de Kagoshima - onde nasceu sua avó paterna -, que incluía passagens, aluguel, alimentação e um curso de japonês. Não gastei um tostão", diz. Hoje, ela é vice-presidente da Associação de Ex-Bolsistas no Japão (Asebex) e se dedica à divulgação das oportunidades que o país oferece para estudantes e recém-formados. "Não é preciso saber japonês e ter olho puxado para se candidatar às bolsas. Há modalidades até para quem só fala inglês."

Revista Cláudia - Outubro 2009 pag. 149

 

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